Inaugurando esse blog, que confesso é minha terceira tentativa de manter um, vou narrar uma história que aconteceu hoje pela manhã.

Ontem ocorreu uma Assembleia de Professores da UnB em que foi proposta e aprovada uma greve para o segundo semestre letivo deste ano. A Assembleia decidiu “se mobilizar contra os ataques aos nossos direitos e se somar a todos (sic) as movimentações internas e externas que visam impedir que este golpe se consolide” e “como forma de proteger nossos direitos contra os ataques de Temer”. Depois escrevo sobre este assunto especificamente, mas o leitor poderá encontrar alguma informação nos posts que fiz no Facebook (Post1 e Post2) e no post da Sra. Sonia Zaghetto.

Essa semana um dos meus irmãos bateu o carro. Ele pediu para ficar com meu carro hoje para que pudesse ir atender no Hospital do Paranoá pela manhã, claro que não poderia deixar de fazê-lo. Resolvi pegar um Uber para ir para a UnB.

Entrei no carro, um Chevrolet Celta, dirigido pelo Carlo. Normalmente não gosto muito de conversar com estranhos, principalmente pela manhã, mas o fulano era muito simpático. Me contou que começou a trabalhar na Uber para que os dois filhos pudessem fazer a faculdade.

Começou a me contar do trânsito na região de Sobradinho onde mora. Ao me relatar uma fechada que havia tomado mais cedo de um militar fardado e que parou o carro na rua para tirar satisfação com ele, exclamou: “Este mundo está do avesso”.

Resolvi contar para ele sobre a tal Assembleia de ontem e relatei as intervenções de meus colegas e alunos durante a reunião. A essa altura, já estávamos na L3 norte, próximo de onde iria saltar. Ele me perguntou em que prédio eu ficaria. “Na Tecnologia”, respondi e ele me pareceu conhecer bem a UnB.

Ao entrar no estacionamento ele me falou que seus filhos estudavam ali, uma moça que cursa Enfermagem e um rapaz aluno de Engenharia Mecânica. Estava explicado porque ele conhecia tão bem o campus. Ao parar para descer, agradeci e disse “Carlo, parabéns pelos seus filhos, parabéns pelo trabalho para ajudá-los. Espero sinceramente que eles saiam daqui o mais rápido possível e que não possamos mais atrapalhá-los”.

Ele ficou um pouco atônito, perguntou se eu era professor ali. Falou que não sabia que a UnB estava assim e me agradeceu efusivamente por ter relatado o acontecido. Disse que conversaria mais com seus filhos sobre o que se passa na UnB.

Desci do carro, não podia estender aquela conversa por causa do horário da minha aula e ele seguiu seu rumo. Não sabia Carlo que eu estava procurando um tema para este blog e ele me clareou qual deveria ser: fazer saber aos pais dos meus alunos, aos pais dos meus futuros alunos e as pessoas que trabalham para pagar pela UnB o que acontece aqui dentro. Anotei esta conversa e segui para minha aula.

Obrigado Carlo.

Carlo, obrigado.

2 thoughts on “9 minutos e um obrigado

  1. Boa iniciativa José Edil. No Brasil
    Pecamos muito por não relatarmos nossa história e estórias.
    Grande começo e boa sorte.

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